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Síndico e moradores podem tomar algumas medidas para tentar atenuar os problemas que vêm da estação de tratamento do Rio Guandu. Por enquanto, não há perspectivas de solução.  A crise da água no Rio continua sem perspectiva de ter fim. Nos condomínios, síndicos e moradores têm dúvidas sobre a melhor forma de agir. Por prudência, o síndico pode tomar algumas medidas.

— A primeira delas é contratar ajuda técnica para verificar se a água que está sob responsabilidade comum está adequada para o consumo que se presta. E é necessário garantir que todos saibam a qualidade da água que estão consumindo —sugere Caroline Roque, sócia do escritório Coelho, Junqueira & Roque Advogados.

Paulo Codeço, supervisor da Precisão Empreendimentos Imobiliários, concorda: — Estamos diante de um produto com qualidade duvidosa e de valor expressivo para o condomínio. Nesse momento, temos água com presença de geosmina e de coloração diferenciada. Cabe ao síndico manter os condôminos e funcionários informados de que não se trata de um problema do condomínio e sim da concessionária de serviço público —aconselha.

SEM DISPERDÍCIO

Outra dúvida comum: é preciso limpar e esvaziar a cisterna? Ou isso não adianta nada, já que a água está vindo com problema? Marcelo Borges, diretor de Condomínio e Locação da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi) sugere que tudo seja feito com bastante cautela. Afinal, explica ele, a água é um componente significativo no orçamento do condomínio, perdendo apenas para a folha de pagamento.

— A orientação é não tomar a medida drástica de esvaziar as caixas d’água e reenchê-las. Por enquanto, não há notícia de que a água que encherá as caixas novamente terá a mesma qualidade de antes da crise.

Para evitar o desper- dício da água já armazenada, o ideal é que o condomínio a utilize para fazer a limpeza das áreas comuns. — É importante ir utilizando essa água. O síndico deve monitorar toda essa situação, estar em contato com a Cedae e manter a comunicação com os condôminos —destaca Borges.

Alguns condomínios estão comprando água mineral para o uso dos funcionários. —É uma situação injustificável e insustentável o que os consumidores estão passando. Ser obrigado a ter gastos com água mineral enquanto a concessionária de água se quer acena a possibilidade de desconto na conta de água que está imprópria para consumo. Mas, sim, vale comprar água mineral, devendo o consumidor registrar e guardar cada gasto que está tendo para eventual pedido de reembolso e, principalmente, caso sofra alguma enfermidade, buscar atestado médico conclusivo da causa — diz Caroline Roque.

Tanto os consumidores como os condomínios podem entrar com um processo contra a Cedae pelos custos causados. Rogério Quintanilha, diretor executivo da BAP, afirma que vale o condomínio documentar os prejuízos e despesas extraordinárias que está tendo para, futuramente, analisar a viabilidade de entrar com uma ação.

Outra alternativa na tentativa de remediar o problema é a instalação de um filtro, cuja empresa especializada também pode auxiliar na tomada de decisão para melhor atender a todo o condomínio, lembra Mariana Portela de Andrade, diretora da JB Andrade Imóveis: — E é importante lembrar que fazer a limpeza e a manutenção da caixa d’água e da cisterna do condomínio, a cada seis meses, é obigatória, independentemente do problema hoje enfrentado na cidade.

Um leitor do Morar Bem enviou um e-mail relatando que o condomínio onde morar quer o instalar um filtro para melhorar a qualidade da água e já tem assembleia marcada para decidir sobre o assunto: “Nesses momentos preocupantes, as pessoas tendem a ir pelo primeiro palpite que aparece, e esquecem detalhes técnicos e aí é que mora o problema. Como fazer esta escolha?”.

Neste caso, sugere o presidente da administradora de condomínios Estasa, Luiz Barreto, o ideal é avaliar, no mínimo, três orçamentos e ouvir mais de uma empresa para tomar a decisão de forma adequada:

—A escolha deve ser pautada sempre em meios filtrantes já testados e validados pelo mercado, além de buscar informações sobre sua eficiência junto a órgãos certificadores, que atestam de fato sua qualidade.

 

Fonte: O Globo